30 de set. de 2026

A importância da infância

  

Qual a utilidade da infância para o Espírito que retorna à Terra através da reencarnação?

Por que, como seres humanos, temos uma infância tão longa, comparada a todos os animais irracionais?

A resposta a estas perguntas tem nuances muito interessantes e importantes para nossa vida.

Primeiramente precisamos compreender que esse ser pequenino, que os genitores conduzem em seus braços carinhosos, não passa de milenário viajor da evolução para o Criador.

Sim, exatamente: um Espírito imortal que volta ao orbe terrestre com objetivos muito claros, envolvendo a autossuperação, a reestruturação do caráter moral e abrilhantamento intelectual.

Este ser passa sempre por um processo de esquecimento do passado, recebendo a nova existência como uma nova oportunidade. É um verdadeiro começar de novo.

Renasce desprotegido, totalmente dependente, inspirando cuidados e amor a todos que estão ao seu redor.

Para não lhe impor uma severidade muito grande, Deus lhe dá todo o toque da inocência.

Essa inocência não é uma superioridade real sobre o que era antes. Não, é a imagem do que deveria ser.

E a bondade e beleza dos desígnios divinos não param por aí, pois não é apenas por esse ser que o Criador lhe dá esse aspecto. É também e, principalmente, por seus pais, cujo amor é necessário para sua fragilidade.

Esse amor seria notoriamente enfraquecido frente a um caráter impertinente e rude, ao passo que, ao acreditar que seus filhos são bons e dóceis, os pais lhes dão toda afeição e os rodeiam com os mais atenciosos cuidados.

Ainda há uma segunda razão, uma segunda utilidade para o período conhecido como infância.

O Espírito, encarnado para se aperfeiçoar, é mais acessível, durante esse tempo, às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento.

A criança é verdadeira esponja a sorver tudo o que acontece à sua volta.

Através dos exemplos que recebe, molda sua nova personalidade com características saudáveis ou não.

O que virem como usual no comportamento dos progenitores e tutores, tomarão para si com facilidade muito grande.

Imitarão o palavreado, os gestos e as atitudes frente a esta ou aquela situação.

É desta forma que aqueles que estão encarregados de sua educação desempenham um papel fundamental.

Assim, eis a séria advertência do Espiritismo aos pais e educadores:

Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus, que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar-se.

Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho.

Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios, e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas.

Façam como o bom jardineiro, que corta os brotos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore.

 Redação do Momento Espírita, com base nos itens 383 e 385 de
O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB; no cap. XIV, item 9,
do livro
O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec,
ed. FEB e na pt. 1, do livro
Desafios da educação, pelo
Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 23.1.2019.





29 de set. de 2026

A importância da família

  

Andando com pressa, esbarrei em um estranho. Reconhecendo minha imprudência, voltei-me e lhe pedi que me perdoasse.

De imediato, ele respondeu: Desculpe-me, por favor, também não o vi. 

Fomos muito educados um com o outro. Sorrimos e demos prosseguimento ao nosso caminho.

Mais tarde, em casa, envolvido em tarefas, pensava no ocorrido, em como me comportara de forma tão urbana.

Imerso nessas reflexões, não percebi meu filho de apenas sete anos, que se aproximou e se postou atrás de mim.

Ao me virar, assustei-me, quase o derrubei e acabei gritando com ele, que se retirou triste. E nem me dei conta de como agira de forma equivocada.

Foi depois que vi umas flores lindas no chão, perto da porta, que algo me tocou.

Pensei: Fui tão gentil com o estranho na rua, e tão ríspido com meu filho em casa.

Recolhi as flores e o procurei para me desculpar. Mas foi ele quem falou primeiro, se escusando, dizendo que entrara de mansinho para me surpreender.

Senti-me mal e constrangido.

Tudo bem, disse, abraçando-me, amo você de qualquer jeito.

Foi nesse momento que decidi valorizar mais aqueles amores que Deus colocou ao meu lado, na formação do valioso grupo familiar.

*   *   *

A família é referência fundamental para qualquer criança. É o seu primeiro espaço de convivência.

O mundo se transforma constantemente, os conceitos mudam, os valores se alteram, mas nada destrói a importância da família.

Não importa qual seja a sua aparência, a sua formação, o seu ritmo, é na família que se aprende e se fortalecem os valores éticos.

É onde se vivem sagradas experiências afetivas, emocionais e morais.

É o primeiro espaço que ocupamos no mundo, e nada a substituirá em nossos corações.

Verdadeiro ninho de sobrevivência e proteção onde o grupo cria e alimenta laços de estima insuperável, capaz de promover a solidariedade e instaurar as bases do amor.

É no seio familiar que se faz a transmissão de valores, costumes e tradições de um clã.

Quando se realiza uma boa educação dentro do lar, seus elementos levarão consigo uma base sólida e segura para os desafios da sociedade.

Mesmo com os problemas que ocorrem cotidianamente, é junto da família que construímos a fortaleza que nos protegerá e sustentará nas lutas da vida.

Sem a família, com toda a importância que representa para as criaturas, o mundo seria um verdadeiro caos.

O diálogo, a amizade, o carinho familiar conferem a estrutura emocional para uma vida repleta de bons sentimentos e o cultivo das virtudes que tanto nos enriquecem.

Podemos afirmar que a família é a esperança sempre viva para uma Humanidade melhorada.

É a instituição capaz de solidificar atitudes afetivas e sentimentos mais profundos e significativos.

Reveste-se de especial importância por seu valor inestimável.

Ao reunirmos nossos amores no recinto familiar não percamos a oportunidade de lhes declararmos nosso amor, carinho e respeito.

E, em nossas orações, agradecidos a Deus, peçamos a bênção suprema para a nossa maior riqueza na face da Terra.

Valorizemos agora e sempre, a nossa família!

Redação do Momento Espírita

Em 29.1.2018.





28 de set. de 2026

A impiedade

  

Podemos entender impiedade como a falta de compaixão e misericórdia pelos outros.

Quase sempre se apresenta pela apressada apreciação do comportamento alheio. Também pela ausência de empatia para com o próximo.

Bem raramente, os que somos dotados de sentidos plenos, gozando da felicidade de ver, ouvir, nos movimentarmos sem dificuldades, pensamos naqueles que sofrem alguma limitação.

Recentemente, aguardando em uma gigantesca fila, pudemos observar a indignação de uma senhora, criticando a balconista que atendera um rapaz que simplesmente chegara pelo outro lado, sem respeito aos que aguardavam pacientemente sua vez.

Despejou, de imediato, algumas palavras rudes para ambos: atendente e atendido.

Foi preciso que dois senhores, mais próximos da reclamante, lhe esclarecessem que se tratava de um portador de grave deficiência na locomoção e que fora orientado pela gerência para assim proceder.

Insistiram para que ela prestasse atenção em como, para se manter em pé, ele realizava grande esforço.

Tratava-se de um ato de humanidade, até mesmo estabelecido por lei.

Isso demonstra como, de um modo geral, criticamos antes, agimos como juízes do comportamento alheio, sem observarmos com detalhes o que realmente está acontecendo.

Quando nos permitimos desconhecer os porquês da atitude de cada pessoa e estabelecemos julgamentos precipitados e maldosos, acabamos agindo com impiedade e injustiça.

Recordamos de um incidente que envolveu uma jovem cantora, portadora de deficiência visual, que se apresentava num restaurante.

Um cliente, que simpatizou com ela, passou a fazer gestos de aprovação e a lhe mostrar, vez ou outra, um copo com bebida, convidando-a ir à sua mesa.

Como a moça não demonstrava nenhum sinal de interesse ou agradecimento, ao final da apresentação, ele foi até o palco e despejou um copo de bebida com pedras de gelo sobre seus pés, esbravejando:

Isto é para você deixar de ser mal-educada e indiferente ao meu oferecimento!

A moça, que não sabia o que estava acontecendo, saiu tateando, assustada, em busca de alguém que a ajudasse a entender a situação.

Só depois do vexame, o rapaz se deu conta de que a cantora não podia vê-lo.

Casos como esse nos levam a refletir sobre como somos impiedosos ao julgar indivíduos que desconhecemos.

Não seria mais justo e coerente não estabelecermos juízo de maneira precipitada?

O que é mais lamentável é que, mesmo percebendo que fomos injustos e impiedosos, dificilmente pedimos desculpas.

A consciência nos acusa, mas o orgulho nos impede o gesto de humildade.

*   *   *

Procuremos observar o mundo com olhos de fraternidade, de piedade, de compaixão.

Consideremos que as aparências podem nos enganar, muitas e muitas vezes.

Para construir um mundo no qual a felicidade esteja mais presente, é preciso corrigir o nosso olhar e a nossa maneira de apreciação de pessoas e situações.

Pensemos nisso, sempre que a tentação de julgar os outros se apresentar.

Redação do Momento Espírita
Em 3.4.2026





27 de set. de 2026

Impermanência

  

Refletindo sobre a brevidade da vida, escreveu certa feita o poeta Vinícius de Moraes, um poema que intitulou Poema de Natal:

Para isso fomos feitos: para lembrar e ser lembrados.

Para chorar e fazer chorar - para enterrar os nossos mortos.

Por isso temos braços longos para os adeuses, mãos para colher o que foi dado, dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida: uma tarde sempre a esquecer, uma estrela a se apagar na treva, um caminho entre dois túmulos.

Por isso precisamos velar, falar baixo, pisar leve, ver a noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer: uma canção sobre um berço, um verso, talvez de amor, uma prece por quem se vai.

Mas, que essa hora não esqueça e que por ela os nossos corações se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos: para a esperança no milagre,

Para a participação da poesia, para ver a face da morte.

De repente, nunca mais esperaremos...

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas nascemos, imensamente.

*   *   *

Que sentimento nasce em nós quando pensamos sobre a brevidade da vida? Será de tristeza, melancolia ou de entendimento e paz?

Somente a plena noção, ou mesmo convicção da imortalidade é que nos permite entender essa brevidade.

Embora Espíritos imortais que somos, estamos vivendo apenas por uma temporada em uma casa mortal: o nosso corpo.

E aqui, nesta morada, todas as coisas são fugidias, não perenes, passageiras.

Nosso olhar sobre a brevidade da vida nos permite compreender que tudo o que é externo a esse olhar, se acaba, tem fim.

Da mesma forma que aquilo que guardamos dentro d’alma permanece.

Assim entendendo a vida, os adeuses se transformam em até breve.

As dores, em pequenas lições de um aprendizado que se constrói de forma paulatina.

Os embates que a vida exige, exercícios a nos conferir fibra e virtudes.

Tudo na vida, daquilo que se guarda na intimidade, permanece.

Tudo o mais, terá a perenidade de uma existência.

Por isso, o sábio conselho de Jesus, para que não nos detenhamos a juntar os tesouros da Terra porque são breves, o ladrão leva, a ferrugem corrói, as traças consomem.

Dessa forma, não são coerentes os esforços despendidos apenas para ajuntar tesouros que nos servirão por curto período de tempo. Tesouros que deixaremos quando retornarmos ao verdadeiro lar.

Portanto, não nos aflijamos ante a impermanência da vida física. Ela é, somente, o intervalo entre dois túmulos, reflete o poeta.

Logo mais retornaremos à casa. Lá estarão nossos amores que chegaram antes de nós.

E lá igualmente ficaremos aguardando outros que virão, concluída sua própria missão.

Com a morte, despertaremos para nova realidade.

Por isso, vivamos intensamente as oportunidades da vida, na certeza de que ela sempre será pródiga, generosa, justa e amorosa no que nos oferta.

Também no entendimento de que tudo será breve, porque breve é nossa passagem pelo planeta, por mais se alonguem os anos da nossa vida física.

Amanhã, logo mais, estaremos de retorno ao lar paterno.

Redação do Momento Espírita, com versos do
 
Poema de Natal, de Vinícius de Moraes.
Em 27.6.2016.





26 de set. de 2026

Imortalidade e vida

  

A crença na imortalidade da alma é valor que carregamos desde há muito na História da Humanidade.

No Bhagavad Gita, o milenar livro das tradições hindus, o diálogo entre o guerreiro Arjuna e a divindade Krishna leciona a imortalidade.

As pitonisas, na Grécia antiga, emprestavam seu corpo para que as vozes dos imortais pudessem se fazer ouvir.

Xamãs, das ricas tradições dos povos indígenas das Américas, eram interlocutores frequentes entre os dois mundos.

As tradições religiosas do continente africano também trazem em seu bojo a comunicação e o entendimento da vida nos dois planos.

Porém, o ponto alto da compreensão sobre a imortalidade e a continuação da vida para além do corpo físico se deu com Jesus.

Mestre incomparável, explicou-nos que o verdadeiro reino, o Seu reino, não é deste mundo.

Propôs bem-aventuranças para a vida imortal e não para as coisas perecíveis e fugidias da Terra.

Falou das aflições do mundo, ensinando-nos que são necessárias, pois são elas que nos convidam ao aprendizado. Frisou, no entanto, serem passageiras.

Toda a Sua mensagem foi de imortalidade, transcendendo o corpo para falar à alma.

Quando O buscavam para que curasse enfermidades, ensinava que nada vale remendar tecido velho com pano bom, porque este irá se romper, logo mais.

Alertou-nos para nos preocuparmos menos com as coisas do mundo e mais com as que falem à alma.

E para testificar, de forma inigualável, Ele mesmo venceu a morte, retornando após a sua crucificação, manifestando-se aos apóstolos, aos amigos, aos Seus seguidores.

Durante quarenta dias, visitou a uns, conversou com outros. E estabeleceu: Estarei para sempre convosco.

*   *   *

Quando nos fixarmos em sua mensagem com mais afinco, compreenderemos, de maneira lúcida, que somos seres imortais.

Teremos então, a certeza de que a vida continua após deixarmos o corpo físico.

As ideias materialistas, embora possam apresentar argumentos aceitáveis para uns ou outros, não mais convencerão nossa razão ou nossa emoção.

Entretanto, não basta compreender a imortalidade da alma. Não é suficiente ter claro que a vida continua após a morte do corpo físico.

É necessário avançar um pouco mais.

É fundamental refletirmos sobre o impacto de termos ciência da nossa imortalidade.

Em seguida, por coerência, avaliar os valores e comportamentos com os quais conduzimos nossa vida.

Afinal, de nada nos valerá acreditar na imortalidade da alma se essa crença não puder nos modificar o comportamento para melhor.

Professar religiões e credos dignos, mantendo um comportamento afastado dos Seus ensinos, não faz sentido.

Dessa maneira, reflitamos o quanto a mensagem da imortalidade, lúcida e profunda, vem modificando nossa maneira de pensar, de agir, de olhar a vida.

O quanto de Cristianismo há em nossa intimidade será a tônica para essa avaliação.

Também o quanto de Cristianismo existe, em nossas atitudes na relação com o outro, dirá o quanto cremos na nossa imortalidade.

Avaliemos se nossas preocupações e o nosso agir refletem o profundo e maravilhoso entendimento de que somos imortais.

Redação do Momento Espírita
Em 2.10.20.24





25 de set. de 2026

Imortalidade em versos

  

Caminheiro, que passas pela estrada,

Seguindo pelo rumo do sertão,

Quando vires a cruz abandonada,

Deixa-a dormir em paz na solidão.

 

É de um escravo humilde sepultura,

Foi-lhe a  vida o gozar de insônia atroz.

Deixa-o dormir no leito de verdura,

Que o Senhor dentre a selva lhe compôs.

 

Quando, à noite, o silêncio habita as matas,

A sepultura fala a sós com Deus.

Prende-se a voz na boca das cascatas,

E as asas de ouro aos astros lá nos céus.

 

Caminheiro! Do escravo desgraçado

O sono agora mesmo começou!

Não lhe toques no leito de noivado,

Há pouco a liberdade o desposou.

 

Estes são versos da autoria de Castro Alves, o poeta dos escravos.

É um lamento de dor pela situação do negro, escravo de uma civilização que se denominava cristã, mas não se pejava em escravizar seus irmãos, sem piedade alguma.

Retirados à força do seu país natal, alguns deles chefes tribais, tinham desprezados todos os seus direitos.

Direito de ser tratado como ser humano, direito ao descanso, à família, à expressão do seu culto religioso, à dignidade.

O desejo de ser livre, de poder se expressar em seu próprio idioma, de cultuar seus deuses, tudo lhes era vedado.

A rebeldia era punida com castigos horrendos e a morte.

É a morte que, justamente, o poeta dos escravos exalta como a libertadora.

E em seus versos revela a verdade inconteste da Imortalidade.

Extinto o corpo, a alma estava liberta para andar pelos campos espirituais.

Como ser espiritual, imortal, poderia retornar aos ares do seu país natal, poderia reencontrar os amores que houvessem partido antes dele.

*   *   *

Embora muitos haja na Terra que, ainda, insistem em afirmar que nada existe para além da vida física, somos imortais.

Ninguém morre. Finda-se o corpo, mas a essência permanece.

Liberta do corpo, a alma retorna ao grande lar. Busca os amores, recompõe-se das lutas travadas durante a vida terrena e prossegue na conquista do progresso.

É assim que os que sofreram muito sobre a Terra encontram o restabelecimento das forças e as recompensas pelo bem sofrer.

A imortalidade é a grande porta que se abre para o reencontro dos que se amam e daqueles que ainda necessitam exercitar o amor uns pelos outros.

É o repouso das lutas, é o reabastecer de energias para novas etapas de progresso do ser que nunca morre e cujo destino final é a perfeição.

Redação do Momento Espírita, com versos
 da poesia
A cruz da estrada, de autoria de
Castro Alves.

Disponível no CD Momento Espírita, v. 20, ed. FEP.
Em 20.1.2025.





24 de set. de 2026

A imortalidade

  

Quando se cogita de ensino religioso para crianças, admitem alguns que, em tenra idade, elas não entendem e que se estaria perdendo precioso tempo com tais questões.

Contudo, amiúde, elas nos dão mostras de que trazem na intimidade tais conceitos e que, quando se lhes fala das questões espirituais, entendem e muito bem, desde que, naturalmente, se lhes fale com simplicidade.

Determinado agente de saúde e professor, que trabalhou com crianças portadoras do vírus HIV, narra uma experiência muito curiosa.

Conta que um menino, de nome Tyler, nasceu infectado com esse vírus causador da AIDS, transmitido por sua mãe. Desde o início de sua vida dependeu de remédios para sobreviver.

Aos cinco anos, sofreu uma cirurgia para colocar um cateter numa veia de seu tórax, a fim de que a medicação fosse inserida na corrente sanguínea. O cateter se conectava a uma bomba que Tyler carregava numa mochila nas suas costas.

Algumas vezes, ele precisava também de oxigênio para ajudar na respiração. Mas nada disso o fazia abrir mão de um único minuto de sua infância.

Mesmo com a mochila às costas e arrastando o tanque de oxigênio em um carrinho, ele brincava e corria.

Todos se maravilhavam com sua alegria e com a energia que essa alegria lhe dava.

A mãe de Tyler o adorava mas, frequentemente, reclamava da agitação do filho. Dizia que ele era tão dinâmico que ela precisava vesti-lo de vermelho para poder localizá-lo rapidamente, entre as crianças que brincavam no pátio.

O tempo passou e a doença venceu o pequeno dínamo que era Tyler. Ele e a mãe ficaram mal e foram hospitalizados.

Quando ficou claro que o fim de sua vida física se aproximava, sua mãe conversou com ele sobre a morte. Ela o confortou, dizendo, entre outras tantas coisas, que ele ficasse calmo, pois breve os dois estariam juntos no céu.

Poucos dias antes de morrer, Tyler chamou o agente de saúde que o auxiliava em suas dificuldades, no hospital, e lhe pediu, quase em segredo:

Vou morrer logo, mas não estou com medo. Quando eu morrer, por favor, me ponha uma roupa vermelha.

E depois de uma pausa e ante o espanto de quem o ouvia, concluiu:

É que a mamãe prometeu me encontrar no céu. Como eu tenho certeza que vou estar brincando quando ela chegar lá, quero ter certeza de que ela poderá me achar.

Ele não somente tinha a certeza de que sobreviveria à morte, como até fazia planos do que faria nessa vida abundante para a qual se dirigia.

*   *   *

Recordar aos pequenos que reiniciam sua jornada terrena a sua destinação gloriosa de seres imortais, é tarefa que não nos cabe esquecer ou deixar para mais tarde.

Podemos prover apólices de seguro e herança de muitos bens para os nossos filhos, mas, com certeza, o melhor legado que lhes podemos deixar é o da certeza imortalista.

A transitoriedade da vida física será melhor entendida e assim, a infância será aproveitada como o período róseo de folguedos, a juventude como a fase dos grandes sonhos e a madureza como a fase da concretização dos ideais acalentados. Tudo como um intenso preparo para a vida verdadeira e imortal de além túmulo, o destino final.

Redação do Momento Espírita, com base no texto
Por favor, me ponham uma roupa vermelha, de Cindy Dee Holnus,
do livro
Histórias para aquecer o coração, v. 2, de Jack Canfield
e Mark Victor Hansen, ed. Sextante.
Em 7.1.2014.





23 de set. de 2026

Imita na grandeza a Terra em que nasceste!

  

Aproximava-se o final de semana, acrescido de feriado municipal na segunda-feira. Com impaciência, o feriado era aguardado pela estudante, pois planejava visitar a família, que morava em outra cidade.

Domingo era a comemoração do dia da Independência do Brasil. Ela, que chefia um grupo escoteiro, aos sábados, preparou, com carinho, uma programação com a História da Independência.

E, porque iria viajar ao encontro da sua família, naquele final de semana, entregou o trabalho para que outra companheira aplicasse o conteúdo com sua matilha de lobinhos.

Mas, para aquela jovem, algo não ficou muito bem. E tomou uma resolução, que comunicou por e-mail:

Oi, gente, eu ia para aí, esta noite. Mas, amanhã tem reunião com o grupo escoteiro. Domingo é dia da Independência e eu fiz uma programação especial a respeito do Brasil.

Não estou conseguindo administrar a ideia de que outra pessoa aplique essa atividade.

Quero estar com os lobinhos amanhã, quero ensinar a eles o que quer dizer o tal “brado retumbante e o sol da liberdade.”

Quem sabe eles possam aprender, desde pequenos, “o sonho intenso e o raio vívido”, e assim cheguemos finalmente a ser, de verdade, a pátria amada e idolatrada?

Alguém insistiu que ela deveria ir para casa. Firme, ela respondeu:

Não posso viajar hoje. Lembra o que diz nosso Hino Nacional: “Um filho seu não foge à luta e nem teme quem te adora a própria morte.”

E concluiu, parafraseando Dom Pedro I: “Se é para o bem de todos e a felicidade geral da nação, diga ao povo que fico!” Viajarei para aí, amanhã, depois da atividade. Ficarei menos tempo com vocês, mas ficarei feliz. Terei cumprido meu dever de filha deste Brasil.

*   *   *

Em tempos em que tantos se esquecem de serem gratos à terra que os abriga, à nação que lhes permite o estudo, o trabalho, o progresso; em tempos em que parecem esquecidos muitos valores cívicos, a atitude da jovem merece aplausos demorados.

Como faz falta, em nosso país, o culto à pátria! Como faz falta se falar mais a respeito deste valoroso país em que nos movemos, crescemos.

Como faz falta o culto aos símbolos nacionais. A bandeira nacional, quase sempre, é recordada em momentos de grandes eventos.

Mas a deveríamos portar, todos, na intimidade do coração, para sentir e viver as suas cores, o que ela representa.

Como seria bom que o Hino Nacional fosse respeitado conforme determina a lei, e cantado muitas e muitas vezes, para lembrar a todos nós, brasileiros, as bênçãos da mãe gentil.

Como seria oportuno lembrar os versos de Olavo Bilac em sua exortação:

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! Não verás nenhum país como este!

Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!

A natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

 

Vê que vida há no chão!

Vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!

Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

Vê que grande extensão de matas,

Onde impera fecunda e luminosa, a eterna primavera!

 

Boa terra! Jamais negou a quem trabalha

O pão que mata a fome, o teto que agasalha…

Quem com o seu suor a fecunda e umedece,

Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!

 

Criança! Não verás país nenhum como este:

Imita na grandeza a terra em que nasceste!

 

Redação do Momento Espírita, com base em fato e
transcrição do poema
A Pátria, de Olavo Bilac.
Em 3.11.2014.





22 de set. de 2026

Imensidões siderais

  

Como alguém pode postar-se diante de tudo isso e não se sentir grande?

Como pode não perceber sua própria imensidão?

Como alguém pode postar-se diante do Universo e não se sentir parte?

Somos astros em inevitável ascendência.

Luzes que se acendem conforme vão desvendando sua própria essência e conhecendo seu amor nuclear.

Não importa onde estejamos no Universo.

Mesmo a imensidão não nos define - impossível definir o infinito.

A imensidão é apenas nosso profundo reconhecimento de grandeza, filiação e gratidão.

*   *   *

Que nosso Espírito se lance ao espaço e veja rolar diante de si o mecanismo gigantesco - mundos e mundos, sistemas após sistemas, na infinita sucessão de Universos estrelados.

Ouçamos, como Pitágoras, as harmonias siderais nas amplas e rápidas revoluções das esferas. Contemplemos, na sua realidade, os movimentos simultaneamente acelerados e regulares que realizam.

Observemos que uma Lei suprema, universal, dirige esses mundos.

A Via Láctea desenrola, como uma faixa imensa, suas milhares de estrelas, tão comprimidas, tão longínquas que parecem formar uma massa contínua.

Por toda a parte, à medida que a noite se torna mais negra, outras estrelas aparecem, outras chamas se acendem como lâmpadas suspensas no santuário divino.

Através das profundezas insondáveis, esses mundos permutam seus raios prateados. Eles nos impressionam à distância e nos falam uma linguagem muda.

Eles não brilham com o mesmo esplendor, e a potente Sírius não pode ser comparada à longínqua Capela.

Suas vibrações levam séculos para chegar até nós, e cada um de seus raios é como um canto, uma melodia, uma voz penetrante.

Esses cantos se resumem assim: Nós, também, somos focos de vida, de sofrimento e de evolução. Almas, aos milhares, efetuam em nós destinos semelhantes aos vossos.

Entretanto, nem todos possuem a mesma linguagem, pois uns são estadas de paz e de felicidade, e outros, mundos de luta, de expiação, de reparação pela dor.

Alguns, como que sussurram: Já te conhecemos, alma da imensidão, já estiveste gravitando nestas paragens...

Outros ainda proclamam: Te aguardamos, habitante sideral, de braços abertos, quando puderes aqui estar...

Assim, todas as estrelas nos cantam seu poema de vida e de amor, todas nos fazem ouvir uma evocação poderosa do passado ou do porvir.

Elas são as moradas da Casa de nosso Pai, as etapas, as soberbas balizas das estradas do infinito, e nós por aí passaremos, aí viveremos todos para, um dia, entrarmos na luz eterna e divina.

Um livro grandioso está aberto aos nossos olhos, e todo observador paciente pode ler nele a palavra do enigma, o segredo da vida eterna.

Espaços e mundos! Que maravilhas nos reservais?

Imensidões siderais, profundezas sem limites, dais a impressão da majestade divina. Em vós, por toda a parte e sempre, estão a harmonia, o esplendor, a beleza! Diante de vós, todos os orgulhos caem, todas as glórias tolas se desfazem, desaparecem.

Redação do Momento Espírita, com base no poema Imensidões siderais,
de Andrey Cechelero, no cap. II do livro Deus na Natureza, de
Camille Flammarion e no cap. X, do livro
O Grande Enigma,
de Léon Denis, ed. FEB.
Em 17.6.2021





Depoimento